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PEDESTAIS SOLITÁRIOS

Existem pessoas que vivem como se fossem

um conceito, não um ser humano.

Gostam de parecer profundas, mas têm medo de mergulhar.

Gostam de parecer intensas, mas só lidam com o raso.

Gostam de falar sobre liberdade, mas tremem diante da ideia de escolher.

 

São criaturas que confundem autoconhecimento com autoenfeite.

Passam a vida construindo uma versão heroica de si mesmas,

uma narrativa onde nunca erram, nunca decepcionam,

nunca são responsáveis pelo estrago que deixam.

 

Elas te estudam, te analisam, te medem.

Não para te compreender,

mas para decidir quanto da sua luz conseguem levar

sem precisar oferecer nada de volta.

 

E quando finalmente encontram alguém

que enxergaria nelas alguma humanidade,

fogem.

Fogem porque a verdade ameaça o pedestal.

Fogem porque vínculo exige presença.

Fogem porque amar não é um cálculo,

e elas só sabem existir com réguas, pesos e medidas.

 

Essas pessoas não perdem alguém.
Elas se perdem.
Sempre.
E passam a vida inteira substituindo rostos,
acumulando histórias pela metade,
inventando desculpas sofisticadas para justificar vazios simples.

 

Acham que estão no controle,

mas não percebem que são reféns do próprio ego.

Acham que estão mantendo a paz,

mas vivem em guerra com tudo o que poderia ser bom.

 

No fim, são sempre iguais.

Cheias de discurso,

pobres de coragem.

Cheias de teoria,

vazias de entrega.

Cheias de planos,

incapazes de sustentar um vínculo real.

 

E um dia, inevitavelmente,

a vida cobra aquilo que evitam olhar.

Ninguém permanece onde não existe verdade.

 

O destino de quem vive se achando grande demais

é descobrir, tarde demais,

que perdeu exatamente o que nunca terá de novo.

Alguém que estava disposto a ficar.

24 de Novembro de 2025

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