SAGITARIANA
Eu não sei viver no morno.
Tenho dificuldade em ficar onde não me sinto presente de verdade.
Não sei fingir calma quando algo está errado,
nem insistir em lugares que já me esvaziaram.
Prefiro tentar, errar e mudar de rota
do que ficar parada me diminuindo aos poucos.
Carrego uma pressa interna,
uma inquietação que não me deixa acomodar.
É como se algo em mim estivesse sempre em combustão baixa,
não o bastante para queimar tudo,
mas o suficiente para me empurrar adiante.
Talvez seja só temperamento.
Talvez seja esse fogo que me move.
Mas essa intensidade também cansa.
Tem dias em que eu fico quieta,
mais fechada,
tentando entender o que estou sentindo
sem precisar explicar pra ninguém.
Nesses dias, o fogo não some,
ele só aprende a esperar.
Ainda assim, algo fica.
Não é força, é permanência.
É o que me mantém aqui
mesmo quando eu paro.
Tenho aprendido a olhar pra isso com menos julgamento.
A entender que sentir demais não é um defeito,
é só um traço meu.
Um jeito direto, às vezes indócil,
de atravessar a vida.
É assim que eu sigo:
em movimento,
com verdade,
com esse fogo interno que não pede licença,
mas também não me abandona.
No fim, o que eu quero é simples:
viver com honestidade comigo mesma.
Sem me apagar.
Sem fingir que sou menos do que sou.
21 de Dezembro de 2025