NÃO ME FALTA NADA
O que quem ama quer do amor?
Se me perguntassem, eu ainda não saberia responder.
O amor sempre foi uma pergunta que eu tentei
responder com o próprio corpo.
Não sei exatamente o que espero ao amar, mas, sem perceber, deposito no outro todas as minhas expectativas, mesmo sabendo, pelos amores que já me atravessaram, que esperar é um jeito lento de se decepcionar.
Já amei com fome.
Daqueles amores que devoram, que fazem as
pernas tremerem e o sangue correr quente, urgente, como se o coração tivesse virado incêndio.
Já amei com frio.
Um amor mais por medo da solidão do que por vontade
de ficar. Um amor que não abraça, só ocupa espaço.
E também conheci o amor calmo,
delicado, inteiro, quase casa.
Mas que rasga por dentro quando acaba… principalmente
quando só acaba na boca do outro, e continua vivo,
dentro do peito da gente.
O amor é excesso.
É falta.
É desejo, ciúme, ilusão, entrega, vertigem.
É um universo inteiro cabendo dentro de duas
pessoas que, no fundo, ainda estão tentando
entender quem são sozinhas.
E no meio de tudo isso, a gente se convence de que não
sabe mais viver sem o outro, mesmo tendo vivido a vida
inteira antes daquele amor existir.
Passamos anos procurando “a outra metade”,
como se fôssemos sempre pedaço,
como se nascer inteiro fosse um erro.
Mas por que metade?
Quem foi que nos ensinou que amor é encaixe e não encontro?
Que é falta e não escolha?
Que é necessidade e não presença?
Eu procurei muito.
Estudei o amor, li sobre ele, vivi ele em todas as temperaturaspossíveis.
E hoje, o que eu sinto não é falta.
É cansaço.
Cansaço de procurar alguém que me complete,
quando nunca estive incompleta.
Minha única busca agora é por mim.
Porque finalmente entendi que amor nenhum deveria
me fazer duvidar da minha inteireza.
Não falta metade.
Não falta nada.
Eu não sou espera.
Eu não sou ausência.
Eu não sou metade de história nenhuma.
Eu sou inteira.
E isso basta.
1 de Fevereiro de 2026